Propostas

Modelo de proposta de PCMSO: estrutura e exemplo

Modelo de proposta de PCMSO com base na NR-7: o que perguntar antes de orçar, exames obrigatórios, como separar programa e exames no preço e um exemplo.

Por Wesley Lira8 min de leitura

Uma proposta de PCMSO precisa separar duas coisas que o cliente costuma enxergar como uma só: o programa (elaboração e coordenação pelo médico responsável, relatório analítico anual) e os exames (clínicos e complementares, cada um com ASO quando houver exame clínico). O modelo abaixo segue essa divisão, usa o que a NR-7 exige como lista de conferência e traz um exemplo preenchido com dados fictícios. Se você ainda não tem a estrutura geral de proposta, comece pelo guia de como fazer proposta comercial de SST.

O que a NR-7 exige e precisa aparecer na proposta

A proposta não é o programa, mas o cliente compara propostas pelo que cada uma diz que entrega. Usar a norma como roteiro evita esquecer item e mostra que você sabe do que está falando. Os pontos que mais pesam:

  • Base no PGR. O subitem 7.5.4 diz que a organização deve garantir que o PCMSO descreva os possíveis agravos à saúde relacionados aos riscos identificados e classificados no PGR e contenha o planejamento dos exames conforme esses riscos. Na prática: sem o inventário de riscos do cliente, o orçamento de exames complementares é chute.
  • Cinco exames obrigatórios. O subitem 7.5.6 lista: admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de riscos ocupacionais e demissional. A proposta deve dizer como cada um é cobrado.
  • Periodicidade. Pelo subitem 7.5.8, o periódico é anual (ou em intervalo menor, a critério do médico) para expostos a riscos do PGR e portadores de doenças crônicas que aumentem a susceptibilidade, e a cada dois anos para os demais. Isso muda a previsão de volume anual.
  • Retorno ao trabalho. Exigido antes de o empregado reassumir as funções quando ficou afastado por 30 dias ou mais, por doença ou acidente, ocupacional ou não (7.5.9).
  • Demissional. Exame clínico em até 10 dias do término do contrato, com dispensa se o último exame clínico ocupacional tiver menos de 135 dias (graus de risco 1 e 2) ou menos de 90 dias (graus 3 e 4), conforme o subitem 7.5.11. Vale citar na proposta: mostra cuidado com o custo do cliente.
  • ASO. Emitido para cada exame clínico ocupacional (7.5.19).
  • Relatório analítico anual. O médico responsável deve elaborá-lo anualmente, com número de exames, resultados anormais, doenças relacionadas ao trabalho, CATs e comparação com o relatório anterior (7.6.2). É um entregável do programa; coloque na proposta.
  • Prontuário. Os dados dos exames ficam em prontuário médico individual sob responsabilidade do médico, e a organização deve mantê-lo por no mínimo 20 anos após o desligamento (7.6.1 e 7.6.1.1). Diga onde fica e como é entregue se o contrato acabar.

Um ponto de venda que muita clínica ignora: a NR-1 dispensa de PCMSO o MEI, a ME e a EPP de grau de risco 1 e 2 que cumpram as condições do subitem 1.8.6, mas o subitem 1.8.7.1 diz que a dispensa não desobriga a realização dos exames médicos e a emissão do ASO. Ou seja, o pequeno cliente dispensado do programa ainda é cliente de exame. Tenha uma proposta só de exames para ele.

O que perguntar antes de orçar PCMSO

  1. CNPJ e grau de risco. Define as regras de dispensa e o prazo do demissional.
  2. PGR atualizado? Peça o inventário de riscos. Sem ele, combine que o orçamento de complementares será revisto depois da análise.
  3. Número de empregados por função ou setor. Exame complementar é por função exposta, não por empresa.
  4. Previsão de admissões e desligamentos no ano. Muda o volume de admissionais e demissionais.
  5. Onde os exames serão feitos. Na clínica, na empresa (atendimento no local) ou em rede credenciada em outra cidade.
  6. Quem envia o evento S-2220 do eSocial (monitoramento da saúde do trabalhador). Se a clínica vai enviar, é serviço e entra no preço. O manual do eSocial explica o evento.
  7. Médico responsável atual e prontuários. Se o cliente está trocando de fornecedor, a NR-7 (7.6.1.2) diz que a organização deve garantir a transferência dos prontuários ao novo médico responsável. Combine isso antes.

Modelo de proposta de PCMSO (estrutura)

Copie a estrutura e troque os dados. Tudo abaixo é fictício.

Proposta nº 0157 · PCMSO e exames ocupacionais Emitida em 05/11 · Válida até 19/11 Cliente: Transportes Exemplo Ltda. · CNPJ 00.000.000/0001-00 · 32 empregados (20 motoristas, 8 operacionais, 4 administrativos) · 1 unidade

1. Contexto

A Transportes Exemplo vai trocar de fornecedor de saúde ocupacional em dezembro e tem 4 admissões previstas para janeiro. O PGR foi revisado em setembro e o inventário de riscos foi enviado para análise.

2. Programa

ItemO que entregaValor
PCMSOElaboração com base no inventário de riscos do PGR, coordenação pelo médico responsável, planejamento de exames por funçãoR$ 000,00/mês
Relatório analítico anualConforme subitem 7.6.2 da NR-7incluso
ProntuáriosGuarda em meio eletrônico e entrega ao cliente em caso de encerramentoincluso

3. Exames

ExamePara quemValor unitário
Exame clínico ocupacional com ASOTodos, em cada tipo de exame obrigatórioR$ 00,00
AudiometriaFunções com exposição a ruído no PGRR$ 00,00
Acuidade visualMotoristasR$ 00,00
Glicemia de jejumConforme planejamento do médico responsávelR$ 00,00

Exames não listados: orçados à parte, antes da realização.

4. Previsão do primeiro ano (estimativa, não é cobrança)

Tipo de exameQuantidade prevista
Admissional4
Periódico32
Demissional3

A previsão serve para o cliente planejar o orçamento. A cobrança é pelo que for realizado.

5. Não incluso

Atendimento fora da unidade da clínica, exames não listados, envio de eventos do eSocial (orçado à parte, se solicitado), segunda via de ASO.

6. Condições

Programa em mensalidade, vencimento dia 10. Exames faturados no mês seguinte à realização. Reajuste anual pelo índice definido em contrato. Início em até 10 dias após a assinatura.

7. Para aprovar

Responda "aprovado" e enviamos o contrato no mesmo dia.

Como precificar PCMSO na proposta

Não há tabela oficial de preço. Os formatos mais usados:

  • Mensalidade fixa do programa + exames por uso. Previsível para o cliente, justo quando o quadro de empregados muda ao longo do ano.
  • Mensalidade por vida. O valor do programa acompanha o número de empregados. Escreva quando a contagem é atualizada (mensal, trimestral) e de onde vem o número.
  • Pacote anual. Programa mais periódicos de todos os empregados por um valor fechado. Precisa de regra para admissionais e demissionais fora da previsão.

Três cuidados ajudam em qualquer formato. Primeiro, o preço dos exames vem de uma tabela única, não da memória de quem está montando a proposta; quando cada vendedor tem uma planilha, um cliente paga um valor e o vizinho paga outro. Segundo, o custo de deslocamento é linha própria, nunca diluído no exame. Terceiro, a previsão de volume é separada do preço, para o cliente não confundir estimativa com compromisso.

Erros comuns na proposta de PCMSO

  • Orçar complementares sem ver o PGR. O preço muda depois e a relação começa com renegociação.
  • Esquecer o relatório analítico. Ele é exigido pela norma e dá trabalho. Se não está na proposta, vira serviço gratuito ou discussão.
  • Não falar dos prontuários. É a primeira pergunta de quem já trocou de clínica antes.
  • Tabela de 40 exames sem agrupamento. Quem decide desiste de ler. Agrupe por função e deixe o detalhe em anexo.
  • Mandar e esperar resposta. Proposta de PCMSO costuma passar por RH e financeiro. Combine o próximo contato no envio; veja as mensagens de follow-up de proposta pelo WhatsApp.

Se o cliente também precisa do PGR, faça uma proposta única com dois blocos e use o modelo de proposta de PGR para a parte de segurança. No VendaGanha, exames, programas e treinamentos ficam no mesmo catálogo, e a proposta já sai separando saúde e segurança.

Perguntas frequentes

Quem pode ser o médico responsável pelo PCMSO?

A NR-7 indica o médico do trabalho. Pelo subitem 7.5.2, se não houver médico do trabalho na localidade, a organização pode contratar médico de outra especialidade como responsável pelo programa.

Empresa dispensada de PCMSO precisa contratar exames?

Sim. A NR-1 (subitem 1.8.7.1) diz que a dispensa do PCMSO para MEI, ME e EPP de grau de risco 1 e 2, nas condições da norma, não desobriga a realização dos exames médicos nem a emissão do ASO.

De quanto em quanto tempo é o exame periódico?

Pela NR-7 (subitem 7.5.8), para empregados expostos a riscos identificados no PGR e para portadores de doenças crônicas que aumentem a susceptibilidade a esses riscos, a cada ano ou em intervalos menores, a critério do médico responsável. Para os demais, a cada dois anos.

A proposta de PCMSO precisa listar todos os exames complementares?

Precisa listar os que estão no seu preço e dizer como os demais serão cobrados. Os exames necessários dependem dos riscos do PGR e são definidos pelo médico responsável; na proposta, deixe claro que exame fora da tabela é orçado à parte.

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Perguntas frequentes

Quem pode ser o médico responsável pelo PCMSO?

A NR-7 indica o médico do trabalho. Pelo subitem 7.5.2, se não houver médico do trabalho na localidade, a organização pode contratar médico de outra especialidade como responsável pelo programa.

Empresa dispensada de PCMSO precisa contratar exames?

Sim. A NR-1 (subitem 1.8.7.1) diz que a dispensa do PCMSO para MEI, ME e EPP de grau de risco 1 e 2, nas condições da norma, não desobriga a realização dos exames médicos nem a emissão do ASO.

De quanto em quanto tempo é o exame periódico?

Pela NR-7 (subitem 7.5.8), para empregados expostos a riscos identificados no PGR e para portadores de doenças crônicas que aumentem a susceptibilidade a esses riscos, a cada ano ou em intervalos menores, a critério do médico responsável. Para os demais, a cada dois anos.

A proposta de PCMSO precisa listar todos os exames complementares?

Precisa listar os que estão no seu preço e dizer como os demais serão cobrados. Os exames necessários dependem dos riscos do PGR e são definidos pelo médico responsável; na proposta, deixe claro que exame fora da tabela é orçado à parte.

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